É PRECISO PRESERVAR NOSSA HISTÓRIA

Antônio Pedro de Souza 
Muito mais que cadáveres, um cemitério guarda histórias. É lá que estão grandes pensadores, artistas, políticos. Gente que lutou e transformou o mundo. Em um âmbito afetivo, é lá que estão nossos entes queridos.
Quando visitamos cemitérios e nos deparamos com o descaso em que alguns deles se encontram, percebemos o quanto nossos atuais líderes estão despreocupados com nossa memória. E o pior: muitos de nós não se importam com isso. Muitos preferem, simplesmente, esquecer que existe alguém sepultado ali.
É importante salientar, mais uma vez, que um cemitério guarda parte importante de nossa história, além do que, muitos preservam um importante acervo artístico e ambiental.
O Cemitério do Bonfim, o mais antigo de Belo Horizonte, possui monumentos, estátuas e inúmeras obras de arte, sejam elas feitas em pedra, madeira, vidro, entre outros materiais. Além disso, está se tornando um importante espaço para a fauna e flora belo-horizontina, dada a quantidade considerável de árvores, pássaros, cães e gatos que existem lá.
Onde muita gente só enxerga a morte, os animais veem a vida.
Alguns funcionários e visitantes, no entanto, reclamam do descaso da Prefeitura de Belo Horizonte para com o local. Eles dizem que as autoridades estão deixando o Bonfim definhar lentamente.
Para chamar a atenção da população sobre a importância de se preservar o Cemitério do Bonfim, são realizadas mensalmente visitas guiadas, nas quais as pessoas aprendem mais sobre a história da necrópole e sua importância para a cidade e, claro o estado.
Uma boa notícia é que o Bonfim está em processo de tombamento.
Mas necrópoles da região metropolitana de Belo Horizonte não têm tido a mesma sorte. Em Ibirité, por exemplo, há alguns anos o prefeito chegou a propor o fechamento do Cemitério Municipal, sem se preocupar com sua importância histórica-cultural. O projeto foi rejeitado.
Em Vespasiano, o “Cemitério Velho”, como é conhecido, também tem sofrido os descuidos da atual administração e, com isso, fica à mercê de vândalos. A situação de repete no Cemitério da Ressurreição (conhecido como “Cemitério Novo”). Os jardins estão descuidados e os túmulos, desprotegidos.
Em cemitérios privados, um importante passo para a valorização destes lugares foi dado. No último mês, o grupo que administra o Bosque da Esperança e o Parque Renascer criou um “movimento de valorização da vida”: iniciado no dia 02/11, feriado de Finados e encerrado em 30/11, o projeto consistia em abordar pessoas nas ruas da cidade e nos próprios cemitérios e anotar os sonhos que cada gostaria de realizar. No dia 30/11, os sonhos foram soltos em balões no céu da capital.

É interessante ver que pequenas ações podem ajudar a preservar esses espaços tão importantes para nossas cidades. É uma pena que isso ainda ocorra de maneira tão isolada e sem a participação de nossas autoridades e de parcela maior da sociedade.

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